<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027</id><updated>2011-08-29T18:11:26.193+01:00</updated><title type='text'>bLog IVRO</title><subtitle type='html'>Alguns estudos indicam uma relação positiva entre a leitura e a saúde duma população, nomeadamente na adesão a estilos de vida saudáveis e na gestão da doença.
Através da apresentação de excertos de vários livros, bLog Ivro assume a responsabilidade de dar a conhecer escritas e autores, incentivando a sua leitura integral.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-3098196814927845061</id><published>2011-07-06T11:43:00.002+01:00</published><updated>2011-07-06T11:44:50.451+01:00</updated><title type='text'>Márcia</title><content type='html'>Destaquei-o na minha página porque me senti lisonjeada de fazer parte de uma manhã na vida de uma pessoa distante, que nem conheço pessoalmente, mas a quem cheguei através de palavras cantadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia tem esse poder, a música também, o cinema e o teatro, as artes plásticas... A Arte põe o mundo em contacto por afinidades e gera entendimento entre as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escrevo muito, e algumas das coisas saem em formato de canção, outras não - nunca me preocupo se fiz um poema novo, nem em assentar o nome do poeta que li, mais do que a ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia é dizer as coisas todas de uma vez. Toda a gente a faz às vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;in &lt;a href="http://http://outroscriticos.blogspot.com/2010/04/outros-criticos-entrevistam-marcia.html"&gt;http://outroscriticos.blogspot.com/2010/04/outros-criticos-entrevistam-marcia.html&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-3098196814927845061?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/3098196814927845061/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=3098196814927845061&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/3098196814927845061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/3098196814927845061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2011/07/marcia.html' title='Márcia'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-8308176177844654436</id><published>2011-01-30T18:23:00.000Z</published><updated>2011-01-30T18:23:04.845Z</updated><title type='text'>Do Sol, Jacinto Lucas Pires</title><content type='html'>O homem vermelho está sempre a cair. (..) De lado, inteiro, como um poste ou um lápis, pás. Cai sem mexer os braços nem mudar de cara, (...) distrai-se e, pás, cai.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-8308176177844654436?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/8308176177844654436/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=8308176177844654436&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/8308176177844654436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/8308176177844654436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2011/01/do-sol-jacinto-lucas-pires.html' title='Do Sol, Jacinto Lucas Pires'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-3208566247467199257</id><published>2010-12-01T20:50:00.000Z</published><updated>2010-12-01T20:50:45.098Z</updated><title type='text'>A sombra do que fomos, Luís Sepúlveda</title><content type='html'>Voltou às palavras cruzadas. Seis letras, cidade do País Basco.&lt;br /&gt;- Bilbau, sai sempre. Porque não pões palavras inteligentes que tenham a ver connosco? Por exemplo, dez letras: campo de concentração de onde, se te levam de noite, nunca mais apareces: Puchuncaví. Oito letras: o que sentes quando os teus velhos vão visitar-te à prisão e te dizem que o teu irmão Juan morreu crivado de balas numa lixeira: tristeza. Seis letras: o que sentes se ao abrir um buraco na terra, encontras três esqueletos com as mãos amarradas atrás das costas e um deles tem calçado os sapatos do teu irmão Alberto: raiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inamovível país da memória. Incorruptível como um seio de Santa Teresa ou um filme de Roger Vadim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo o que esteve grávido de futuro ficou, de repente, envenenado de passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mensagem de gerundio@hotmail.com para:&lt;br /&gt;blacpanther@hotmail.com&lt;br /&gt;Alegra-me saber de ti, eu regressei há pouco menos de meio ano (...) De que se trata? Parece-me muito misterioso, tudo isto. E, por favor, não me escrevas com gramática de jovenzinho analfabesta. Quero é com q e não com k, e também escreve-se com todas as letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) os rapazes de Chaihuín queriam aprender a lutar para serem livres, tal como o fará toda essa gente que se arrisca para que Allende ganhe. Querem ser livres. Eu sou diferente, chui. eu luto para não me esquecer de que sou um homem livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) o camarada tem de digerir as suas ideias e para isso é necessário que as meta no corpo. Tu escolhes, ou comes as folhas uma por uma até à última ou metemos-te-las pelo rabo. (...)&lt;br /&gt;O sabor a tinta de mimeógrafo durou meses. (...)&lt;br /&gt;- Comi todos os panfletos. Durante muito tempo a minha namorada disse que beijar-me era como beijar Gutenberg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dar-te um conselho: aproveita o tempo e estuda electrónica porque a guerra há-de ser com arames e coisas minúsculas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-3208566247467199257?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/3208566247467199257/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=3208566247467199257&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/3208566247467199257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/3208566247467199257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2010/12/sombra-do-que-fomos-luis-sepulveda.html' title='A sombra do que fomos, Luís Sepúlveda'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-5689116748500465977</id><published>2010-11-08T20:36:00.001Z</published><updated>2010-11-08T20:44:53.279Z</updated><title type='text'>A Varanda do Frangipani, Mia Couto</title><content type='html'>Sou desses mortos a quem não cortaram o cordão desumbilical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Padeci tais fomes que só não morri porque a morte não me encontrou, tão magro que estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São estes pretos que todos os dias me semeiam. (...) Desculpe-me este meu português, já nem sei que língua falo, tenho a gramática toda suja, da cor desta terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A velhice o que é senão a morte estagiando em nosso corpo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a memória me chega rasgada, em pedaços desencontrados. Eu quero a paz de pertencer a um só lugar, eu quero a tranquilidade de não dividir memórias. Ser todo de uma vida. E assim ter a certeza que morro de uma só única vez. Custa-me ir cumprindo tantas pequenas mortes, essas que apenas nós notamos, na íntima obscuridade de nós. Me deixe, inspector, que eu acabei de morrer um bocadinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... a árvore, dizia ele, tem alma eterna: a própria terra. A gente toca o tronco e sente o sangue da terra circular em nossas íntimas veias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (...) já viu a garça a adormecer?&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;- Ela tapa a cara com a asa. Como o homem quando chora. A garça tem vergonha de dormir às vistas do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela dormia fora porque aqueles quartos lhe davam uma tristeza de caixão sem cova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os únicos que conhecem a verdadeira cor do mar são as aves que olham de um outro azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura eu não sabia que, bem vistas as contas, somos todos mulatos. Só que, em alguns, isso é mais visível por fora&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-5689116748500465977?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/5689116748500465977/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=5689116748500465977&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/5689116748500465977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/5689116748500465977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2010/11/varanda-do-frangipani-mia-couto.html' title='A Varanda do Frangipani, Mia Couto'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-915344261029196344</id><published>2010-10-08T20:45:00.000+01:00</published><updated>2010-11-08T21:04:45.689Z</updated><title type='text'>Monte Sinai, José Luís Sampedro</title><content type='html'>(...) a morte não é problema; como precisou o antigo filósofo, "quando tu estás Ela não está; quando Ela está, tu não estás".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora via o mundo, onde as árvores ressuscitam todos os anos e vivem mais do que uma só Primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem grades não perceberíamos a liberdade; (...) Como o papagaio que voa por estar atado. Graças ao vento, sim, mas esse mesmo vento não o levantaria sem o cordel que o prende.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-915344261029196344?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/915344261029196344/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=915344261029196344&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/915344261029196344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/915344261029196344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2010/10/monte-sinai-jose-luis-sampedro.html' title='Monte Sinai, José Luís Sampedro'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-3380943604129060200</id><published>2010-01-10T21:57:00.001Z</published><updated>2010-01-10T22:01:02.496Z</updated><title type='text'>O Mundo depois de Copérnico, Lia Formigari</title><content type='html'>As aquisições da sociobiologia, acrescentava, não desencorajam as reformas sociais tal como a descoberta que a miopia é hereditária não desencoraja as pessoas a usar óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruth Benedict, em &lt;em&gt;Modelli di cultura&lt;/em&gt;, resume «Em toda a sua história o homem defendera a sua unicidade como um ponto de honra. Na época de Copérnico, esta pretensão à supremacia era tão impositiva que se estendia à terra em que vivemos, e o século XV recusou-se, apaixonadamente, a acreditar que o globo terrestre é apenas um planeta do sistema solar.&lt;br /&gt;No tempo de Darwin, como teve de ceder o sistema solar ao inimigo, o homem combateu, com todas as armas em seu poder, pela exclusiva posse de uma alma, atributo de natureza incognoscível concedido por Deus ao homem, de um modo que demonstra que o homem não descendia do reino animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A matéria é, pois, infinita e constitui mundos infinitos, alguns dos quais são até, talvez, melhores do que o nosso e habitados por seres racionais melhores do que nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pensamentos&lt;/em&gt;, de Blaise Pascal (1623-1662):&lt;br /&gt;«Que o homem contemple, a natureza inteira na sua alta majestade e afaste os olhos dos objectos mesquinhos que a rodeiam. Observe aquela luz deslumbrante, colocada como uma lâmpada eterna para iluminar o Universo; e a terra lhe surja como um ponto em comparação com o amplo circuito que aquele astro descreve; e se espante com o facto de que aquele mesmo vasto circuito não ser mais do que um ponto minúsculo em proporção com o espaço abrangido por todos os outros astros a girar no firmamento. (…) Todo este mundo visível não é mais do que um traço imperceptível no seio da natureza. (…) Podemos alargar as nossas concepções para lá dos espaços imagináveis: não geramos mais do que átomos em comparação com a realidade das coisas. É uma esfera cujo centro se encontra por todo o lado, a circunferência em nenhum lugar […]&lt;br /&gt;«E agora o homem, depois de ter regressado a si, considere aquilo que é em comparação com o que existe; encare-se como perdido neste remoto recanto da natureza; e deste pequeno cárcere em que se encontra encerrado, refiro-me ao universo, aprenda a estimar, no seu justo valor, a terra, os reinos, a cidade e a si próprio. O que é um homem no infinito?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltaire escrevia no seu &lt;em&gt;Dicionário filosófico&lt;/em&gt;, «... o céu não existe: há uma quantidade prodigiosa de astros a errar no espaço vazio, e o nosso globo gira nele como os outros». Somos o céu dos habitantes da Lua. Para o bicho da seda o céu é a teia que lhe envolve o casulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Holbach celebra com expressões de entusiasmo os grandes eventos cósmicos,... «A natureza, com as suas combinações gera sóis que se vão colocar no centro de outros tantos sistemas; produz planetas que, pela sua própria essência, gravitam e descrevem as suas revoluções, à volta daqueles sóis; a pouco e pouco, o movimento altera uns e outros; aquele dispersará um dia, talvez, as partes com que compôs estas massas maravilhosas que o homem, no curto espaço da sua existência, não faz mais do que entrever, de passagem.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças ao movimento, diz Holbach no seu &lt;em&gt;Sistema da Natureza&lt;/em&gt;, verifica-se «uma transmigração, uma transformação, uma circulação contínua das moléculas da matéria. A natureza tem necessidade, em determinado lugar, daquelas que tinha colocado num outro por certo período de tempo; estas moléculas, depois de terem, por meio de combinações particulares, constituído seres dotados de essência, de propriedades, de modos de agir determinados, dissolvem-se ou separam-se, com maior ou menos facilidade, e, combinando-se de um novo modo, formam-se novos seres. O observador atento […] vê a natureza cheia de germes errantes, dos quais alguns se desenvolvem, enquanto outros esperam que o movimento os coloque nas esferas, nas matérias, nas circunstâncias necessárias para os ampliar, acrescentar, tornar mais sensíveis, com o acrescento de substâncias ou matérias análogas ao seu ser primitivo.»&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;«Da pedra formada nas vísceras da terra, através da combinação íntima de moléculas análogas e similares, que se aproximaram umas das outras, até ao sol, esse vasto reservatório de partículas inflamadas, que ilumina o firmamamento; do molusco entorpecido até ao homem activo e pensante, vemos uma progressão ininterrupta, uma cadeia perpétua de combinações e movimentos, da qual derivam seres diferentes entre si devido, apenas, à variedade das suas matérias elementares, das combinações e proporções desses mesmos elementos, dos quais, nascem modos de existir e de agir infinitamente diversificados.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diderot descreve «... se o primeiro homem tivesse a laringe fechada, se não tivesse encontrado alimentos convenientes, se tivesse tido uma deficiente conformação dos órgãos genitais, se não tivesse encontrado a sua companheira, se se tivesse acasalado com seres de outras espécies, […] que teria sido do género humano?...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;em&gt;Sonho de d'Alembert&lt;/em&gt;, outro texto de Diderot,... «Todos os seres circulam uns nos outros […], tudo é um perpétuo fluir […] Todo o animal é, mais ou menos, homem, todo o mineral é, mais ou menos, planta, toda a planta é, mais ou menos, animal […] Toda a coisa é, mais ou menos, uma qualquer outra coisa, mais ou menos terra, mais ou menos água, mais ou menos ar, mais ou menos fogo, mais ou menos pertencente a um outro reina da natureza […] Nada mais existe do que um único grande indivíduo: o todo.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Holbach «Sóis apagam-se e secam, planetas extinguem-se e dispersam-se nas regiões áridas; acendem-se outros sóis, formam-se novos planetas (…) E o homem, porção infinitamente pequena do globo, (…) acredita ser para ele que o Universo é feito, (…) proclama-se o rei do Universo!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A felicidade exige o esclarecimento dos intelectos, e esclarecimento significa tolerância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O facto de existirem homens na América não nos deve surpreender mais do que o de existirem moscas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na &lt;em&gt;História Filosófica e Política das Colónias e do Comércio dos Europeus nas Duas Índias&lt;/em&gt;, Guillaume-Thomas Raynal: Foi a partir daí que os homens dos mais distantes países se aproximaram, graças a novas relações e necessidade. Os produtos dos climas equatoriais consomem-se nos climas próximos dos pólos, a indústria do Norte é levada para o Sul, os estofos do Oriente tornaram-se o luxo dos ocidentais; e, por toda a parte, os homens trocam, uns com os outros, opiniões, leis, usos, doenças, remédios, virtudes e vícios».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«(…) prossegue Rousseau -, segue-se que a mulher é especificamente feita para agradar ao homem». (…) A mulher deve ceder ao desejo e à vontade do homem, mas também deve ser hábil e subtil ao ponto de suscitar no homem aquele desejo e aquela vontade a que ela, depois, deverá ceder e, também, suficientemente astuta para nunca o deixar perceber se cedeu porque o que queria fazer ou porque era demasiado fraca para resistir. Em suma, «aquilo que é mais doce para o homem na sua vitória é o duvidar se é a fraqueza que cede à força ou se é a vontade que se rende...»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não se inculcasse uma distinção dos sexos antes ainda de se manifestar a diferença instituída pela natureza, meninas e meninos teriam as mesmas brincadeiras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-3380943604129060200?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/3380943604129060200/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=3380943604129060200&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/3380943604129060200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/3380943604129060200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2010/01/o-mundo-depois-de-copernico-lia.html' title='O Mundo depois de Copérnico, Lia Formigari'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-8197562013341520672</id><published>2009-10-05T16:57:00.000+01:00</published><updated>2009-10-05T17:08:20.210+01:00</updated><title type='text'>O ratinho, a mosca e o homem, François Jacob</title><content type='html'>No filme René Clair &lt;em&gt;C’est arrivé demain &lt;/em&gt;um jovem jornalista trava conhecimento com um fantasma cujas boas graças consegue conquistar. O fantasma envia-lhe então todos os dias o jornal do dia seguinte.&lt;br /&gt;Daqui resultou para o jovem jornalista um poder jamais visto. Sabe de que será feito o amanhã. Conhece os acontecimentos, os perigos, os projectos, os resultados das corridas de cavalos, as variações da bolsa, enfim, é bem sucedido em todas as iniciativas, incluindo as amorosas. Até ao dia em que o jornal lhe anuncia a própria morte, que terá lugar no dia seguinte. Enlouquecido, o jornalista foge para evitar o destino. Mas, por mais que o tente, não pode escapar-lhe. Dá por si à hora e no lugar previstos para a sua morte. E, se, apesar de tudo, o filme acaba bem, é só porque por vezes há notícias falsas nos jornais!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-8197562013341520672?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/8197562013341520672/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=8197562013341520672&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/8197562013341520672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/8197562013341520672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2009/10/o-ratinho-mosca-e-o-homem-francois.html' title='O ratinho, a mosca e o homem, François Jacob'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-1840767129663528505</id><published>2009-07-23T18:11:00.000+01:00</published><updated>2009-07-23T18:11:49.302+01:00</updated><title type='text'>A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera</title><content type='html'>O fardo mais pesado esmaga-nos, verga-nos, comprime-nos contra o solo. Mas, na poesia amorosa de todos os séculos, a mulher sempre desejou receber o fardo do corpo masculino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca se pode saber o que se deve querer porque só se tem uma vida que não pode ser comparada com vidas anteriores nem rectificada em vidas posteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que vale a vida se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É o que faz com que a ida pareça um esquisso. Mas nem mesmo «esquisso» é a palavra certa, porque um esquisso é sempre o esboço de alguma coisa, a preparação de um quadro, enquanto o esquisso que a nossa ida é, não é esquisso de nada, é um esboço sem quadro.&lt;br /&gt;(…) einmal ist keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Não poder viver senão uma vida é pura e simplesmente como não viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… as metáforas são uma coisa perigosa. Com as metáforas não se brinca. O amor pode nascer de uma única metáfora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor não se manifesta através do desejo de fazer amor (desejo que se aplica a um número incontável de mulheres), mas através do desejo de partilhar o sono (desejo que só se sente por uma única mulher).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas um encontro não é precisamente tanto mais importante e cheio de significação quanto mais depende de um grande número de circunstâncias fortuitas?&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;Para um amor se tornar inesquecível é preciso que, desde o primeiro momento, os acasos se reúnam nele como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o homem do talho tivesse vindo sentar-se a uma mesa do restaurante em vez de Tomás, Tereza não teria reparado que a rádio estava a dar Beethoven (embora o encontro de Beethoven com um homem do talho também não deixe de ser interessante).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…) a vida humana (…) É composta como uma partitura musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há, portanto, razão nenhuma para censurar aos romances o seu fascínio pelos misteriosos cruzamentos dos acasos (…), mas há boas razões para censurar o homem por ser cego a esses acasos na sua vida quotidiana e assim privar a vida da sua dimensão de beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sonho é a prova de que imaginar, sonhar com o que nunca existiu, é uma das necessidades mais profundas do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem vive no estrangeiro deixa de ter por debaixo de si a rede de segurança que é, para todo o ser humano, o país natal, o país onde se tem a família, os colegas, os amigos e onde é fácil fazermo-nos entender na língua que conhecemos desde crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos dias que correm, quem apaga a luz para fazer amor arrisca-se a cair no ridículo; (…) No entanto, no momento em que penetra em Sabina, fecha os olhos.&lt;br /&gt;A volúpia que o invade exige a obscuridade. (…) uma obscuridade que é o infinito que cada um de nós tem em si (sim, porque quem busca o infinito só tem de fechar os olhos!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendeu messe dia que a beleza é um mundo traído. Só podemos encontrá-la quando aqueles que a perseguem a deixam por engano num sítio qualquer. A beleza esconde-se atrás dos cenários de um desfile do 1.º de Maio. Para dar com ela, primeiro é preciso furar a tela do cenário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… se o túmulo está fechado com uma pedra, o morto nunca mais pode sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O campo de concentração é um mundo em que as pessoas estão condenadas a viver perpetuamente, de dia e de noite, umas em cima das outras. (…) é a liquidação total da vida privada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha dois sacos pendurados abaixo dos ombros, mas uns seios relativamente pequenos. (…) Só não gostava daquelas auréolas grandes de mais e escuras de mais à volta dos mamilos. Se tivesse podido desenhar o seu próprio corpo, teria mas era uns mamilos discretos, delicados, pouco salientes em relação à curva do seio e de uma cor que mal se distinguisse da cor do resto da pele. Aqueles grandes alvos vermelho-escuros pareciam-lhe obra de um pintor de aldeia especializado em imagens obscenas para necessitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é a coquetterie? Pode talvez dizer-se que é um comportamento que deve sugerir que a aproximação sexual é possível, sem que essa eventualidade possa ser tida como certa. Ou, por outras palavras, a coquetterie é uma promessa de coito, mas uma promessa sem garantidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As retretes das casas de banho modernas erguem-se do chão como uma flor branca de nenúfar. Os arquitectos fazem os impossíveis para que o corpo esqueça a sua miséria e para que o homem não saiba o que acontece às dejecções das suas vísceras quando a água do autoclismo, a gorgolejar, as expulsa da vista. Embora os seus tentáculos se prolonguem até nossas casas, os canos de esgoto estão sempre cuidadosamente disfarçados e por isso não sabemos absolutamente nada a respeito das invisíveis Venezas de merda sobre as quais se encontram construídas as nossas casas de banho, os nossos quartos, os nossos salões de baile e os nosso parlamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tereza lembrava-se dos primeiros dias da invasão. As pessoas tinham roubado as placas de todas as ruas e os sinais de todas as estradas. O país tornara-se anónimo numa noite só. Durante sete dias, o exército russo errara por todo o país sem saber onde estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de deixar a casa da mãe, julgara, como uma pobre idiota, que passaria a ser de uma vez por todas dona e senhora da sua vida privada. Mas a casa da mãe estendia-se pelo mundo inteiro e apanhava-a em todo o lado. Tereza não poderia nunca escapar-lhe em parte nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria (…) olhar para a água porque ver água a correr acalma e cura. O rio corre de século para século e as histórias dos homens desenrolam-se nas suas margens.&lt;br /&gt;Amanhã ninguém se lembrará delas e, por sua causa, o rio não deixará nunca de correr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… tendo encontrado um recém-nascido abandonado, um certo pastor levou-o ao rei Políbio que o criou. Já adulto, Édipo cruzou-se um dia numa estrada de montanha com um carro de cavalos onde viajava um princípe desconhecido. Gerou-se uma confusão e Édipo matou o príncipe. Mais tarde, desposou a rainha Jocasta e tornou-se rei de Tebas. Não fazia a mínima ideia que o homem que matara nas montanhas era seu pai e a mulher com quem dormia, sua mãe. E, no entanto, o destino encarniçava-se contra os seus súbdito, cobrindo-os de pragas. Quando Édipo percebeu que o culpado dos seus males era ele, vazou os olhos com alfinetes e, cego para todo o sempre, deixou Tebas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pensa que os regimes comunistas da Europa Central são exclusivamente obra de criminosos deixa na sombra uma verdade fundamental: é que os regimes comunistas não foram edificados por criminosos, mas por entusiastas, convencidos de que tinham descoberto a única via possível para o paraíso. E defendiam essa via com unhas e dentes, chegando inclusivamente a mandar matar muito boa gente por causa disso. Mais tarde, tornou-se claro como a luz do dia que o paraíso não existia e, portanto, que os entusiastas eram assassinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… era o tímido sorriso de uma cumplicidade secreta: Era o sorriso que dois homens passam a trocar depois de se encontrarem por acaso num bordel; sentem uma certa vergonha, mas ao mesmo tempo, dá-lhes prazer que a vergonha seja recíproca. Ficam ligados por uma espécie de laço de fraternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há algo que nos permite classificar os homens em categorias, é com certeza o desejo profundo que os guia para um dado tipo de actividade que exercerão toda a vida. Os Franceses são todos diferentes uns dos outros. Mas todos os actores do mundo se parecem (…) Actor é aquele que, desde a infância, aceita expor toda a sua vida ao público anónimo. Sem este assentimento fundamental, que não tem nada a ver com o talento e que é algo de muito mais profundo do que o talento, ninguém pode tornar-se actor. Do mesmo modo, o médico é aquele que aceita ocupar-se durante toda a vida, com todas as consequências que isso implica, de corpos humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se dá uma pancada com toda a força na cabeça de uma pessoa, ela fica estendida por terra e pode deixar de respirar de uma vez por todas. Mas, mais dia menos dia, sempre acabaria por deixar de respirar. O crime só antecipa aquilo de que o próprio Deus em pessoa se encarregaria um pouco mais tarde. E Deus, podemos supô-lo, previu o homicídio, mas não a cirurgia. Nunca lhe passou pela cabeça que, um belo dia, o homem se atrevesse a meter as mãos no mecanismo que ele inventara e cuidadosamente embalara, selara e fechara com pele para melhor o furtar aos seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser cirurgião é abrir a superfície das coisas e espreitar para o que lá está escondido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que procurava em todas essas mulheres? O que é que o atraía? O amor físico não é sempre a eterna repetição do mesmo?&lt;br /&gt;De forma nenhuma. Há sempre uma pequena percentagem de inimaginável. Quando via uma mulher vestida, embora, evidentemente, pudesse fazer mais ou menos uma ideia de como seria depois de despida (aqui a sua experiência de médico completava a do amante), restava sempre um pequeno intervalo de inimaginável entre a inexactidão da ideia e a precisão da realidade, e era precisamente essa lacuna que lhe tirava o sossego. E, depois, a busca do inimaginável não termina com a descoberta da nudez; vai para além dela: que caras fará enquanto se despe? o que dirá enquanto faz amor? em que tom suspirará? que ricto se imprimirá no seu rosto no momento da volúpia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o femeeiro lírico gosta sempre do mesmo tipo de mulheres, quase nem se repara quando tem uma amante nova; os amigos causam-lhe sérios embaraços porque nunca vêem que a sua companheira já não é a mesma e tratam as suas amantes sempre pelo mesmo nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… as metáforas são perigosas. O amor começa com uma metáfora. Ou, por outras palavras, o amor começa no preciso instante em que, com uma das suas palavras, uma mulher se inscreve na nossa memória poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, ainda uma vez mais, vejo-o tal como me apareceu no começo deste romance. À janela, a olhar para o prédio em frente do outro lado do pátio.&lt;br /&gt;Foi dessa imagem que Tomas nasceu. Como já disse, as personagens não nascem de um corpo materno como os seres vivos nascem, mas de uma situação, de uma frase, de uma metáfora que contém em germe uma possibilidade humana fundamental, que o autor pensa que nunca ninguém descobrira antes dele ou então que nunca ninguém tratara de modo a dizer algo de essencial sobre ela.&lt;br /&gt;Mas não se costuma dizer que um autor não pode falar senão de si próprio?&lt;br /&gt;Olhar com angústia para um pátio sem conseguir tomar uma decisão; ouvir o gorgolejar obstinado da nossa própria barriga num minuto de exaltação amorosa; trair e não saber parar na estrada tão bela das traições; erguer o punho na manifestação da Grande Marcha; exibir o nosso bom humor perante os microfones invisíveis da polícia; eu mesmo vivi e conheci todas estas situações; porém, de nenhuma delas saiu a personagem que eu próprio sou no meu curriculum vitae. As personagens do meu romance são as minhas próprias possibilidades não realizadas. É o que faz com que goste igualmente de todas elas e também com que todas elas me assustem igualmente um pouco. Todas, sem excepção, atravessaram uma fronteira que eu só contornei. O que me atrai precisamente é essa fronteira que eu só contornei. O que me atrai precisamente é essa fronteira que elas atravessaram (a fronteira para lá da qual acaba o meu eu). Do outro lado, começa o mistério que o romance interroga. O romance não +e uma confissão do autor, mas uma exploração do que a vida humana é nesta armadilha em que o mundo se converteu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será preferível dar um grito que apresse o nosso próprio fim ou ficar calado e comprar uma agonia mais lenta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… a vida humana só acontece uma vez e nunca podermos verificar qual era a boa e qual era a má decisão porque, em toda e qualquer situação, só podemos decidir uma vez. Não nos é concedida nem uma segunda, nem uma terceira, nem uma quarta vida para podermos comparar as diversas decisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… suponhamos que havia no universo um planeta onde pudéssemos vir ao mundo pela segunda vez. Ao mesmo tempo, lembrar-nos-íamos perfeitamente da vida passada na Terra, de toda a experiência já adquirida.&lt;br /&gt;E talvez houvesse outro planeta onde viéssemos à luz pela terceira vez com a experiência das duas vidas anteriores.&lt;br /&gt;E talvez fosse havendo sempre mais planetas onde a espécie humana fosse renascendo sempre um grau mais acima na escala da maturidade.&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;Nós, cá na Terra (no planeta número um, no planeta da inexperiência), não podemos ter senão uma ideia muito vaga do que aconteceria ao homem nos outros planetas. Tornar-se-ia mais sábio? Poderá alguma vez ter a maturidade ao seu alcance? Poderá ele chegar a ela através da repetição?&lt;br /&gt;Só na perspectiva desta utopia é que as noções de pessimismo e de optimismo têm sentido. Optimista é quem pensa que a história humana será menos sangrenta no planeta número cinco. Pessimista, quem não acredita nisso.&lt;br /&gt;Há duas rodas dentadas a girar em sentido contrário no relógio do nosso cérebro. Numa, há as visões, na outra, as reacções do corpo. O dente que tem a visão de uma mulher nua gravada engrena no dente oposto, onde está inscrito o imperativo da erecção. Quando, por qualquer razão, o mecanismo se avaria e o dente da excitação entra em contacto com o dente no qual está pintada a imagem de uma andorinha a voar, o nosso sexo levanta-se só por ver a andorinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a excitação é um mecanismo que depende de um capricho do Criador, e amor é, pelo contrário, aquilo que só nos pertence a nós e através do qual escapamos ao Criador. O amor é a nossa liberdade. O amor está para lá da necessidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrava-se naquele no man's land onde já se não está a dormir e ainda se não está acordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… mito do Banquete de Platão: dantes, (…) os humanos eram hermafroditas e Deus separou-os em duas metades, que, desde então, erram pelo mundo à procura uma da outra. Amar é desejar essa metade perdida de nós próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… Iakov, o filho de Estaline. Prisioneiro de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, encontrava-se detido num campo onde também havia oficiais ingleses. As latrinas eram comuns. O filho de Estaline deixava-as sempre sujas. Os ingleses não gostavam de ver as suas latrinas cheias de merda, mesmo que a merda fosse do filho daquele que era então o homem mais poderoso do universo. Ralharam com ele. O filho de Estaline ficou ofendido. Os oficiais ingleses voltaram a repreendê-lo e obrigaram-no a limpar as latrinas. Zangou-se, discutiu com eles e agrediu-os. Por fim, pediu para ser recebido pelo comandante do campo. Queria que ele arbitrasse o diferendo. Mas o alemão estava demasiado imbuído da sua importância para deixar-se envolver numa discussão sobre merda. O filho de Estaline não pôde suportar tal humilhação. Lançando aos céus as pragas russas mais tremendas, correu em direcção ao arame farpado e electrificado que cercava o campo. Atirou-se contra os fios. Aí ficou suspenso o corpo que nunca mais havia de sujar as latrinas britânicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho de Estaline deu a vida pela merda. Mas morrer pela merda não é uma morte absurda. Os alemães que sacrificaram a vida para aumentar o território do império para leste, os russos que morreram para que o poder do seu país se estendesse mais para ocidente, esses sim, morreram por um disparate e a sua morte não tem qualquer espécie de sentido nem de valor geral. Em contrapartida, a morte do filho de Estaline foi a única morte metafísica no meio da estupidez universal da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem a merda (no sentido literal e no sentido figurado da palavra), o amor sexual não seria nunca tal como nós o conhecemos: com o coração a martelar e uma grande cegueira dos sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se (…) a palavra merda era substituída nos livros por três pontinhos, não era seguramente por uma questão de moral. Apesar de tudo, ninguém pode pretender que a merda seja imoral! O desacordo com a merda é metafísico. O instante da defecção é a prova quotidiana do carácter inaceitável da criação. Das duas, uma: ou a merda é aceitável (então porque é que se fecham na casa de banho?) ou a maneira como nos criaram é que é inadmissível. (…)&lt;br /&gt;o kitsch é (…) a negação absoluta da merda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os políticos (…) Mal vêem uma máquina fotográfica (…) precipitam-se para a primeira criança que esteja ao pé, põem-na ao colo e pespegam-lhe um beijo na bochecha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… a mais pequena discordância é um escarro cuspido em plena cara da risonha fraternidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… o kitsch é um biombo atrás do qual se esconde a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se somos incapazes de amar, talvez seja por desejarmos ser amados, ou seja, por querermos alguma coisa do outro (o seu amor), em vez de chegarmos junto dele sem reivindicações e não querermos senão a sua simples presença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-1840767129663528505?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/1840767129663528505/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=1840767129663528505&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/1840767129663528505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/1840767129663528505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/06/insustentvel-leveza-do-ser-milan.html' title='A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-8951545744349075908</id><published>2009-02-18T17:11:00.000Z</published><updated>2009-02-18T17:12:41.027Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>Olá a todos!&lt;br /&gt;Está a chegar o Entrudanças!&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.cm-castroverde.pt/ad2006/adminsc1/app/castroverde/uploads/progr.pdf"&gt;http://www.cm-castroverde.pt/ad2006/adminsc1/app/castroverde/uploads/progr.pdf&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Entre concertos, Oficinas, Bailes e Leituras, haverá também venda de Artesanato, na  Praça Zeca Afonso.&lt;br /&gt;Hobby by AV, de Andreia Vitorino (&lt;a href="http://www.hobbybyav.blogspot.com/"&gt;www.hobbybyav.blogspot.com&lt;/a&gt;) tem orgulho em poder estar presente e deixa o convite a uma visita!&lt;br /&gt;De sábado, 21 a Segunda, 23, desfrutem e ofereçam alegria e cor às vossas amigas!&lt;br /&gt;Acessórios ousados e diferentes, com um toque de beleza!&lt;br /&gt;Simplesmente femininos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contactos: Andreia Vitorino - &lt;a href="mailto:andreia.vitorino@hotmail.com"&gt;andreia.vitorino@hotmail.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Carla Veríssimo - &lt;a href="mailto:cavverissimo@gmail.com"&gt;cavverissimo@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Hobby by AV agradece a divulagação alargada deste e-mail.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-8951545744349075908?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/8951545744349075908/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=8951545744349075908&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/8951545744349075908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/8951545744349075908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2009/02/ola-todos-esta-chegar-o-entrudancas.html' title=''/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-3961812040580572592</id><published>2008-10-02T12:16:00.000+01:00</published><updated>2008-10-02T12:17:14.777+01:00</updated><title type='text'>António Variações in Cadernos Biográficos 5, Paulo Marques</title><content type='html'>… nunca abdiquei de ser o que sou, e só comecei a ser recompensado por essa atitude, quando houve pessoas que vieram ter comigo e me disseram ter sido eu o ponto de partida para uma estética que elas gostavam mas não eram capazes de assumir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho pena de morrer, mas não medo. Tudo o que acaba me deprime. Mais pelo fim do que pelo acto em si.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-3961812040580572592?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/3961812040580572592/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=3961812040580572592&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/3961812040580572592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/3961812040580572592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/10/antnio-variaes-in-cadernos-biogrficos-5.html' title='António Variações &lt;em&gt;in&lt;/em&gt; Cadernos Biográficos 5, Paulo Marques'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-1685244584131856380</id><published>2008-09-30T12:14:00.000+01:00</published><updated>2008-10-02T12:15:28.990+01:00</updated><title type='text'>Florbela Espanca in Cadernos Biográficos 6, Paulo Marques</title><content type='html'>Preciso tanto de ser embalada devagarinho… suavemente.. como uma criança pequenina, sonhando de olhos fechados, num regaço carinhoso e quente!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero amar, amar perdidamente!/ Amar só por amar: Aqui… além…/ Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…/ Amar! Amar! E não amar ninguém!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-1685244584131856380?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/1685244584131856380/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=1685244584131856380&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/1685244584131856380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/1685244584131856380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/09/florbela-espanca-in-cadernos-biogrficos.html' title='Florbela Espanca &lt;em&gt;in &lt;/em&gt;Cadernos Biográficos 6, Paulo Marques'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-1035843144468122810</id><published>2008-09-02T12:10:00.001+01:00</published><updated>2008-10-02T12:13:12.691+01:00</updated><title type='text'>José Carlos Ary dos Santos in Cadernos Biográficos 7, Paulo Marques</title><content type='html'>Fazer versos é, para mim, uma função tão natural ou necessária como dormir, comer ou fazer amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natália Correia descreve-o como: «o sensualão dos cheiros lisboetas, o pária com sobretudo de gola astracã, o rei-bobo guizalhando chalaças para ter como súbditos todos os aplausos do mundo, o sentimentalão social que se desnuda para dar a roupa aos pobres, o eterno amante sem amor, enchendo esse vazio com risadas que sabem a gente. E tudo isto fundido numa infância agigantada que tirita de solidão pedindo agasalho nos seus versos.»&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-1035843144468122810?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/1035843144468122810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=1035843144468122810&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/1035843144468122810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/1035843144468122810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/09/jos-carlos-ary-dos-santos-in-cadernos.html' title='José Carlos Ary dos Santos &lt;em&gt;in &lt;/em&gt;Cadernos Biográficos 7, Paulo Marques'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-5925549541287970494</id><published>2008-07-13T16:19:00.000+01:00</published><updated>2008-08-13T16:27:36.787+01:00</updated><title type='text'>História do Mundo em Nove Guitarras, Erik Orsenna.</title><content type='html'>Tinha os cabelos brancos, do pó ou da idade. (…)&lt;br /&gt;O seu rosto parecia ter sido cavado por chuvas inverosímeis. A barba sal-e-pimenta que lhe comia as faces, dir-se-ia que a deixara crescer para que segurasse um pouco de carne. De outro modo, as enxurradas teriam levado tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucy in the Sky prosseguia, baixinho. Mal terminava, a canção recomeçava.&lt;br /&gt;- Você só gosta de Beatles? – perguntou Eric Clapton.&lt;br /&gt;… o velho arqueólogo:&lt;br /&gt;- Sobretudo desta canção. Não parávamos de a ouvir quando descobrimos a nossa avó, cinquenta e dois ossos perfeitos, a primeira verdadeira mulher na história do mundo, há três milhões de anos. Compreende porque lhe chamámos Lucy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Terra era a mãe de todos. Falava-se-lhe com flautas e tambores. Ela respondia com o rugido dos vulcões, o murmúrio das florestas, o chilrear das fontes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As suas notas não encontravam eco. Batiam no vazio. Todas as palavras de que o universo era capaz tinham ficado na garganta do imperador Atahualpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guitarra ia dar filhos por toda a parte, uma família infinitamente diversa, com as formas e os materiais mais esquisitos, uma família que em breve cobriria o planeta. A vergonha, o desgosto, o silêncio nunca mais resistiriam a todas essas guitarras. As guitarras eram os cavaleiros da aliança tumultuosa da Terra com os homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite africana é um navio sem âncora, diz Clapton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há três casais que contam neste mundo: um homem e uma mulher, um homem e o seu cavalo, um homem e a sua guitarra….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amizade não é um fio de lã e os nós nem sempre se aguentam.&lt;br /&gt;O que é que mantém uma amizade? Pensa-se que vai durar até à morte. E depois a vida, as ciumeiras minúsculas, as feridas escondidas vão pouco a pouco afastando as pessoas. Afastam-se como dois navios no mar. Primeiro insensivelmente, como a contragosto. Depois cada qual vai para o seu sítio e desaparece num ponto do horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderá o próprio mar por vezes sentir vergonha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paganini compunha. Compunha furiosamente. (…)&lt;br /&gt;Tenho dedos irrequietos. Não sabem estar parados. Tamborilam todas as superfícies possíveis. Batem o compasso nas paredes, nas mesas, na minha carteira da escola. Vivem vida própria, não posso fazer nada. Bem lhes digo que parem, não ouvem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música é a aliada dos inícios, como a luz apagada para fazer amor, da primeira vez, entre tímidos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-5925549541287970494?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/5925549541287970494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=5925549541287970494&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/5925549541287970494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/5925549541287970494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/07/histria-do-mundo-em-nove-guitarras-erik.html' title='História do Mundo em Nove Guitarras, Erik Orsenna.'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-3763921193861407709</id><published>2008-06-19T11:27:00.000+01:00</published><updated>2008-06-19T11:32:02.153+01:00</updated><title type='text'>Lamas de Olo, Avenida da Europa</title><content type='html'>António Mota escreveu, Elsa Navarro ilustrou.&lt;br /&gt;Colecção Pintar o Verde com Letras – Editora Gailivro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;… em certas alturas o silêncio fica muito pesado e dói.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-3763921193861407709?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/3763921193861407709/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=3763921193861407709&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/3763921193861407709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/3763921193861407709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/06/lamas-de-olo-avenida-da-europa.html' title='Lamas de Olo, Avenida da Europa'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-900707730155382341</id><published>2008-03-17T16:46:00.003Z</published><updated>2008-03-17T16:58:37.143Z</updated><title type='text'>Luíz Pacheco, Braga, 16 ou 17 de Outubro, 1961</title><content type='html'>Adivinho e aspiro o perfume do seu sexo; leio-lhe nos olhos os gritos que ela daria de prazer se a possuísse agora (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas passam por mim duas miúdas: uma, grande cu descaído, badalhoca de cara, trouxa de carne a dar às pernas - é a que me tenta; outra, muito compostinha no trajar, casaco preto, saia branca ou creme, muito viva, muito espevitada. Atiro pontaria na badalhoca, a ver se avanço depressa o negócio, jogando no ganha-perde da beleza física e no cálculo das probabilidades dos complexos das feias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) o meu olhar mágico, de megatoneladas de cio (...) nestas coisas de engates (...) quanto mais estúpidas as declarações de amor mais resultado dão (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lambia-te toda, desde as maminhas até ao pipi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) «Mostra a zabelinha, mostra a zabelinha a este senhor!». Olha que putitas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) e com o corpo todo pendurado para cima dele que com a mão esquerda na algibeira vai entretendo o caralho com as promessas que a vista lhe está a demonstrar. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 'tão, nada feito - diz a sua honra camponesa, e pela primeira vez noto como me apetecia aquele corpo, ser dono ou servo daquele aparato movediço de carne, pele, ossos, pêlos, força. E também me pareee que ele está pronto a ir atrás de uma promessa, duma mentira qualquer, e que a recusa pela venda comercial é onde ele esconde a sua pronta adesão. Talvez o seu vício. Mas para comercial, comercial e meio. (...)&lt;br /&gt;Paramos os dois na estrada. Aí - tenho a certeza - um pouco de insistência minha, qualquer promessa, fariam voltá-lo para trás. Mas não fiz nada disso; devo ter-lhe parecido um velho forreta, gabiru em chupar caralhos de borla. Resistiu. (...)&lt;br /&gt;Descemos um carreiro em bico à direita da estrada. Escuridão. É o lugar ideal para mijar, cagar ou brochar discretamente. Calculo que ele está a provocar-me com o caralho fora das calças, quer festa, mas eu estou muito senhor de mim. (...)&lt;br /&gt;- O senhor tem, há bocado disse que tinha - diz o franjolas a mijar à minha frente (e nem para a picha lhe olhei). (...)&lt;br /&gt;Sacudiu a gaita, voltámos à estrada. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora vão pró caralho! Não aturo meninos depois de ter tido homens na mão. Bebo não bebo mais verde? bebo não bebo mais cerveja? ou uma água de Castelo? Fumo? Peço mais fiados? Volto a passear e aproveito para meter aqui o episódio da excursão vianense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Misturo a Deolinda com o António e sem mexer na picha estou quase a vir-me. De repente, tudo é tão violento que tenho de bater uma punheta.&lt;br /&gt;Como a Natureza previu todas as nossas fraquezas e ausências, dotou-nos também com outro caralho para o cu detrás. Meto o dedo (médio?) todo no cu, bato a punheta. E a ejaculação, forte porque há dias que estou sem deitar nada cá para fora, dá-me contracções no esfincter. (...) Venho-me imenso. (...) Cada passo na escada parece julgo que é o António que vem e me penetra e me obriga a chupar-lhe o delicioso caralho que não vi.&lt;br /&gt;Mas que vontade de ter pecado. De pecar. Como assim: de viver.Descubro que o êxito e o fracasso são uma e a mesma cadeia e em tudo. O êxito para cima, o fracasso para baixo, e quando digo baixo digo baixo: sujidões, dívidas, vergonhas, podridão, loucura. Mas o que toma tudo igual é que ambas as cadeias se encontram, nada a fazer, meus caros, daqui a cem anos ninguém se lembra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-900707730155382341?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/900707730155382341/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=900707730155382341&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/900707730155382341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/900707730155382341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/03/luz-pacheco-braga-16-ou-17-de-outubro.html' title='Luíz Pacheco, Braga, 16 ou 17 de Outubro, 1961'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-1603133203821348250</id><published>2008-02-23T22:19:00.000Z</published><updated>2008-02-24T22:24:35.067Z</updated><title type='text'>poema de Maria Azenha, postado in Blogue das Artes por Liliana Jasmim</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 15.5pt; font-family: Verdana;"&gt;Talvez &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;                                  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 15.5pt; font-family: Verdana;"&gt;Talvez até a Vida seja simples&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 15.5pt; font-family: Verdana;"&gt;Os meus lábios são por exemplo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size: 15.5pt; font-family: Verdana;"&gt;Feitos de vento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size: 15.5pt; font-family: Verdana;"&gt;E a minha voz é uma cortina de fumo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size: 15.5pt; font-family: Verdana;"&gt;Para me defender do frio&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 15.5pt; font-family: Verdana;"&gt;Lembrei-me um dia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size: 15.5pt; font-family: Verdana;"&gt;De cortar os dedos&lt;br /&gt;Para não mais escrever poesia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size: 15.5pt; font-family: Verdana;"&gt;(Nunca chorei tantoem toda a minha Vida!…)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 15.5pt; font-family: Verdana;"&gt;Hoje tenho a convicção das dunas.&lt;br /&gt;E sei que os meus cabelos&lt;br /&gt;Escrevem 365 livros por ano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size: 15.5pt; font-family: Verdana;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size: 15.5pt; font-family: Verdana;"&gt;Procuro sozinha o Infinito.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-1603133203821348250?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/1603133203821348250/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=1603133203821348250&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/1603133203821348250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/1603133203821348250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/02/poema-de-maria-azenha-postado-in-blogue.html' title='poema de Maria Azenha, postado in Blogue das Artes por Liliana Jasmim'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' 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rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/9078028547489216001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=9078028547489216001&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/9078028547489216001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/9078028547489216001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/02/poema-de-mia-couto.html' title='poema de Mia Couto'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-6221766816210860649</id><published>2008-02-06T13:04:00.000Z</published><updated>2008-02-06T13:05:09.403Z</updated><title type='text'>Rodrigo Guedes de Carvalho, in A Casa Quieta.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não sei o que me fez vir aqui, (…) marcar uma consulta para falar com um desconhecido.&lt;br /&gt;(…) às vezes um detalhe esconde o segredo que procurávamos, às vezes um detalhe pode salvar-nos a vida.&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;Não sei se conhece África&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;O soldado (…) a escrevinhar, às vezes tinha de se socorrer do isqueiro para se certificar de que não se atrapalhava nas palavras e nas vírgulas.&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;O soldado (…) que me tocava aqui num ponto qualquer (….)&lt;br /&gt;Atribua, por favor, ao meu nervosismo e diga-me como começamos senão daqui a pouco você&lt;br /&gt;Acabou o tempo&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;Sou levado a pensar que a angústia da maior parte das pessoas com esse momento se prende com o facto de esse momento as obrigar a despedirem-se de si e voltarem lá para fora, para o mundo que as fez vir aqui.&lt;br /&gt;(…)&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-6221766816210860649?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/6221766816210860649/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=6221766816210860649&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/6221766816210860649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/6221766816210860649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/02/rodrigo-guedes-de-carvalho-in-casa.html' title='Rodrigo Guedes de Carvalho, in A Casa Quieta.'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-345801858898933613</id><published>2008-01-30T01:12:00.001Z</published><updated>2008-01-30T01:12:57.754Z</updated><title type='text'>A Casa Quieta, Rodrigo Guedes de Carvalho</title><content type='html'>Quero acreditar que já não estarias em casa por alturas em que cheguei mas não sei dizer. A verdade é que não te procurei. Mais uma vez. Penso que fiz as coisas do costume, (…) terei deixado o sobretudo ao acaso, abri o frigorífico (…)  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Vagueei sem saber bem, o sobretudo caído alguém há-de arrumar, tu tratas disso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(…)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Quando havia aqui o cão andaria atrás de mim, a ver-me deixar cair o sobretudo a gravata talvez, se calhar descalço-me sapatos novos, uma dor aqui junto ao tornozelo, outra acolá mais acima tudo no meu corpo mais acima, as coisas do costume. (…)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É então isto a morte. Abrires os olhos à espera de uma revelação e esbarrares no nada. Hoje entendo vê se entendes: o nada. Não algo que não esperavas, não uma desilusão maldita, uma angústia. O nada, como falar-te dele. Como quando éramos miúdos e fechávamos os olhos com força os olhos cheios de cores enevoadas agora está alaranjado agora vermelho será verde, juro que vejo um azul como o céu. Como juro não quero jurar mas vou, que me fazes falta, (…)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Tu eras. E passo a citar um sorriso fugidio, juntavas as mãos que apertavas entre as pernas quando tinhas frio tinhas sempre frio, gostavas de te rir mas queixavas-te que já Haia pouco que te fizesse rir (…)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Era suposto ter coisas para te dizer, como lhes chamar revelações, ideias, frases inteiras pensamentos, formas de chegar até ti em linguagem, ciente de que não nos inventaram forma melhor de nos aproximarmos de nos fazermos compreender. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(…)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não te procurei porque procurar-te me daria a exacta dimensão da tua ausência, poderia vaguear minutos horas, procurar-te quem sabe chamar por ti dizer o teu nome, saberia eu que de pouco me adiantaria, seria isto pergunta ou a exacta dimensão afirmação de que não te encontras.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(…)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Não te vou procurar. E vim para casa sabendo que pela primeira vez não o faria, interrogando-me como se faz isto, repara a impossibilidade, aprender a fazer como não se faz. É então isto a morte. E vão duas vezes que te digo isto. Não te podendo procurar porque és agora nada, a morte são uns olhos de cão aos pés do teu lugar da cama, a olhar para mim, a olhar para onde te via.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(…)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O cão (…) a cirandar pelo bairro contigo na outra ponta da trela, lembro-me de o ver de vez em quando olhar para ti, só para se certificar de que ainda lá estás (…) é destas coisas que se faz estar vivo, olhar para trás e tu estares lá e sorrias&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Invariavelmente sorrias&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(…)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;É entao isto a morte. Não estares lá e ao mesmo tempo não estares em sitio nenhum, na casa de banho, na sala, a desentortar a torneira do pátio, a regar as plantas, no supermercado, nem sequer na vizinha, não foste visitar a tua prima afastada doente, não estás à espera de taxi na avenida, não estás Mariana&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;(…)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;não estás&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mariana&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;do outro lado da trela.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-345801858898933613?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/345801858898933613/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=345801858898933613&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/345801858898933613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/345801858898933613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/01/casa-quieta-rodrigo-guedes-de-carvalho_30.html' title='A Casa Quieta, Rodrigo Guedes de Carvalho'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-6353058671539390994</id><published>2008-01-15T18:50:00.000Z</published><updated>2008-01-16T18:52:34.379Z</updated><title type='text'>69 Formas de Agradar ao Seu Amante, Nicole Bailey</title><content type='html'>O sexo são as brincadeiras dos adultos. Esqueçam as regras e sejam o mais atrevidos, ordinários, aventureiros ou depravados que lhes apetecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;… o beijo é o mais íntimo e o que tem maior carga emotiva. (…) é a primeira impressão sexual que temos de um amante e pode decidir se desejamos ter uma maior intimidade. O melhor tipo de beijo é aquele que se deseja prolongar para sempre. (…) primeiro, devagar, de forma provocante e hesitante, …&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sussurar é … uma… forma de nos aproximarmos de uma pessoa que … desejamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-6353058671539390994?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/6353058671539390994/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=6353058671539390994&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/6353058671539390994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/6353058671539390994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/01/69-formas-de-agradar-ao-seu-amante.html' title='69 Formas de Agradar ao Seu Amante, Nicole Bailey'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-5997477344462856176</id><published>2008-01-14T19:07:00.000Z</published><updated>2008-01-16T19:09:34.472Z</updated><title type='text'>A criança em ruínas, José Luís Peixoto</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Arte poética&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;o poema não tem mais que o som do teu sentido,a letra p não é a primeira letra da palavra poema,o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma,poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se ervafresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em milárvores ou céu de punhais, ameaça, lê-se medo e procurade cegos, lê-se mão de criança ou tu, mãe, que dormese me fizeste nascer de ti para ser palavras que nãose escrevem, lê-se país e mar e céu esquecido ememória, lê-se silêncio, sim, tantas vezes, poema lê-se silêncio,lugar que não se diz e que significa, silêncio do teuolhar de doce menina, silêncio ao domingo entre conversas,silêncio depois de um beijo ou de uma flor desmedida, silênciode ti, pai, que morreste em tudo para só existires nesse poemacalado, quem o pode negar?, que escreves sempre e sempre, emsegredo, dentro de mim e dentro de todos os que te sofrem.o poema não é esta caneta de tinta preta, não é esta voz,a letra p não é a primeira letra da palavra poema,o poema é quando eu podia dormir até tarde nas fériasdo verão e o sol entrava pela janela, o poema é onde eufui feliz e onde eu morri tanto, o poema é quando eu nãoconhecia a palavra poema, quando eu não conhecia aletra p e comia torradas feitas ao lume da cozinha doquintal, o poema é aqui, quando levanto o olhar do papele deixo as minhas mãos tocarem-te, quando sei, sem rimase sem metáforas, que te amo, o poema será quando as criançase os pássaros se rebelarem e, até lá, irá sendo sempre e tudo.o poema sabe, o poema conhece-se e, a si próprio, nunca se chamapoema, a si próprio, nunca se escreve com p, o poema dentro desi é perfume e é fumo, é um menino que corre num pomar paraabraçar o pai, é a exaustão e a liberdade sentida, é tudoo que quero aprender se o que quero aprender é tudo,é o teu olhar e o que imagino dele, é solidão e arrependimento,não são bibliotecas a arder de versos contados porque isso sãobibliotecas a arder de versos contados e não é o poema, não é araiz de uma palavra que julgamos conhecer porque só nós podemosconhecer o que possuímos e não possuímos nada, não é umtorrão de terra a cantar hinos e a estender muralhas entreos versos e o mundo, o poema não é a palavra poemaporque a palavra poema é uma palavra, o poema é acarne salgada por dentro, é um olhar perdido na noite sobreos telhados na hora em que todos dormem, é a últimalembrança de um afogado, é um pesadelo, uma angústia, esperança.o poema não tem estrofes, tem corpo, o poema não tem versos,tem sangue, o poema não se escreve com letras, escreve-secom grãos de areia e beijos, pétalas e momentos, gritos eincertezas, a letra p não é a primeira letra da palavra poema,a palavra poema existe para não ser escrita como eu existopara não ser escrito, para não ser entendido, nem sequer pormim próprio, ainda que o meu sentido esteja em todos os lugaresonde sou, o poema sou eu, as minhas mãos nos teus cabelos,o poema é o meu rosto, que não vejo, e que existe porque meolhas, o poema é o teu rosto eu, eu não sei escrever apalavra poema eu, eu só sei escrever o seu sentido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-5997477344462856176?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/5997477344462856176/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=5997477344462856176&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/5997477344462856176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/5997477344462856176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/01/criana-em-runas-jos-lus-peixoto.html' title='A criança em ruínas, José Luís Peixoto'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-645810289270046834</id><published>2008-01-13T15:25:00.000Z</published><updated>2008-01-13T15:27:59.901Z</updated><title type='text'>O adeus às armas, Ernest Hemingway</title><content type='html'>… expliquei-lhe (…) como é que não fazemos aquilo que desejamos e que são precisamente essas coisas que nunca fazemos.    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;… tinha perfeita consciência de que não amava Catherine Barkley, e não tinha tão-pouco nenhuma intenção de a amar. Era um jogo, como o brídge, no qual se diziam coisas em vez de se jogar cartas. Como no brídege, tinha de se fingir que se jogava a dinheiro ou por qualquer outra parada.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;… eu sabia que não seria morto nesta guerra. Ela não tinha nada que ver comigo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O padre era bom, mas maçador. Os oficiais não eram bons, mas eram maçadores. O Rei era bom, mas era maçador. O vinho era bom, mas não era maçador.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Se todos recusassem a avançar, acabava a guerra…&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Não há nada pior do que a guerra. Nós (…) nem sequer podemos conceber a que ponto é mau. Quando a gente compreende (…) não pode fazer nada para acabar com ela porque se fica maluco.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;… entrara tanta terra para a frida que a hemorrgia tinha sido insignificante.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;(…)&lt;br /&gt;Cometeste algum acto de heroísmo?&lt;br /&gt;- Não. - Fui pelos ares enquanto estava a comer queijo.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Quando acordei depois da operação não tinha estado ausente. Não se fica ausente. Só se fica como que suspenso. Não se assemelha à morte, é apenas uma suspensão química, para não podermos sentir, e depois é como se tivéssemos estado embriagados, com a diferença de que quando se vomita vir apenas bílis, e depois não se sente alívio nenhum.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Zangar-se ou morrer. É o que acontece às pessoas. Mas nunca se casam.&lt;/p&gt;              &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;- Está a chover com toda a força.&lt;br /&gt;- E hás-de amar-me sempre, é verdade?&lt;br /&gt;- Hei-de.&lt;br /&gt;- E a chuva não fará diferença?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Ainda bem. Porque eu tenho medo à chuva.&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;… estávamos todos liquidados, mas (…) isso não tinha importância enquanto não o soubéssemos. Estávamos todos liquidados. O que importava era não o admitir. A última nação a compreender que estávamos todos liquidados ganharia a guerra.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;… não é difícil resolver problemas quando não se tem nada a perder.&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Nunca acontece mal aos valentes!&lt;br /&gt;- Morrem, é claro.&lt;br /&gt;- Mas só uma vez!&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;Durante três anos esperei infantilmente que a guerra acabasse no Natal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: blue;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;…tenho visto homens que se mutilam voluntariamente. Mas perguntei-lhe se já tinha visto alguém inutilizar-se dando pancadas no escroto, porque é a sensação mais parecida com sofrer de icterícia e é uma sensação que penso, poucas mulheres terão experimentado.&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;… este é o teu velho copo dos dentes. Conservei-o para não me esquecer de ti.&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;sempre que olho para esse copo lembro-me de ti a querer limpar a tua consciência com uma escova de dentes.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;… granadas (…) põem-me os nervos em pé. Quando as ouço parece-me que vêm direitas a mim! Ouve-se o pum, e logo a seguir o assobio da explosão. Qual é a vantagem de não se ser ferido, se a gente morre de medo?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;É muito mau para os soldados não comerem o suficiente. Já reparou alguma vez como isso influencia a maneira de eles pensarem?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- (…) Não é coisa que faça ganhar uma guerra, mas pode fazê-la perder.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;…‘’sagrado’’, ‘’glorioso’’ e ‘’sacrificio’’, (…) deixavam-me sempre embaraçado. Tínhamo-las ouvido, muitas vezes, de pé, à chuva, (…) de forma que só nos chegavam as palavras gritadas, (…) e eu não tinha visto nada sagrado, e as coisas gloriosas não tinham glória e os sacrifícios eram como os matadoros de Chicago, com a diferença de que a carne servia só para ser enterrada. (…) ‘’glória’’, ‘’honra’’, ‘’coragem’’, ou ‘’santidade’’ tornavam-se obscenas comparadas aos nomes das aldeias, aos números das estradas, aos nomes dos rios, aos números dos regimentos e às datas.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;… não queria ler nada acerca da guerra. Queria esquecer a guerra. Tinha feito uma paz separada.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes o homem deseja estar só, e a mulher deseja também (…) e se se amam têm reciprocamente ciúmes desse desejo (…) Podíamos sentir-nos sós quando estávamos sós – sozinhos contra os outros. Só uma vez me aconteceu sentir assim. Sentia-me só estando com muitas raparigas e é a maneira como se está mais sozinho. Mas nós nunca nos sentíamos sós e nunca tínhamos medo… Bem sei que a noite não é a mesma coisa que o dia (…) e que (…) pode ser terrível para os solitários, desde que se sintam que são. (…) Quando as pessoas defrontam o mundo com tanta coragem, o mundo só pode quebrá-las matando-as, e por isso, é claro, mata-as. O mundo quebra toda a gente, e depois muitos ficam mais fortes no lugar da fractura. Mas àqueles que não consegue quebrar mata-os. Mata os muitos bons, os muito doces, os muito corajosos, imparcialmente. Se não sois desses, também vos há-de matar, mas nesse caso não será particularmente apressado.&lt;/p&gt;                &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O conde Greffi tinha noventa e quatro anos.&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;- Gostaria de viver depois da morte? – perguntei (…)&lt;br /&gt;- Dependeria da vida que fosse. Esta vida é agradável. Gostaria de viver para sempre (…) Quase lá cheguei….&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;- É o corpo que é velho. Às vezes assalta-me o receio de partir um dedo como se ele fosse um pau de giz.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E era este o preço que tu pagavas por termos dormido juntos. Era este o fim da armaldilha. Era isto que as pessoas ganhavam em se amar. Catherine tinha tido uma gestção feliz. (…) Quase não tivera indisposições. (…) E agora no fimtinha sido apanhada. Nunca havia maneira de escapar. Escapar, um chavo! Teria sido a mesma coisa se fôssemos casados cinquenta vezes. &lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Agora Catherine ia morrer. Era assim Morre-se. Não se sabe de nada. Nunca se tem tempo para aprender. Atiram-nos para aqui, ensinam-nos as regras, e ao primeiro erro matam-nos.&lt;br /&gt;(…)&lt;br /&gt;Entrei no quarto e fiquei junto de Catherine até ela morrer.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-645810289270046834?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/645810289270046834/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=645810289270046834&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/645810289270046834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/645810289270046834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/01/o-adeus-s-armas-ernest-hemingway.html' title='O adeus às armas, Ernest Hemingway'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-754115535835069044</id><published>2008-01-13T15:22:00.000Z</published><updated>2008-01-13T15:34:26.293Z</updated><title type='text'>Terra Sonâmbula, Mia Couto</title><content type='html'>Vão para lá de parte nenhuma, dando o vindo por não ido, à espera do adiante.&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;É Muidinga que chora. O velho se levanta e zanga:&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Pára de chorar!&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;É que me dói uma tristeza...&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;(...)&lt;br /&gt;A guerra é uma cobra que usa os nossos próprios dentes para nos morder.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;... eu e o meu passado dormimos em tempos alternados, um apeado enquanto o outro segue viagem.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt; Afinal, nasci num tempo em que o tempo não acontece!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem constrói a casa não é quem a ergueu mas quem nela mora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... comidas (...) dos olhos salivarem na língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... ele que me levasse fora, ou aquilo ficaria matéria não de papo mas de sopapo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ter pátria é (...) saber que vale a pena chorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Não gosto de pretos (...)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Dos brancos?&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Também não (...)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Eu gosto de homens que não tem raça.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;… os bandos tem serviço de matar. Os soldados tem serviço de não morrer. Nós somos o chão de uns e o tapete dos outros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O problema não é o lugar, (…) mas o caminho.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;… havia duas maneiras de partir: uma era ir embora, outra era enlouquecer. Meu pai escolhera os dois caminhos, um pé na doideira de partir, outro na loucura de ficar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;… ir pelo mar, caminhar no último lábio de terra, onde a água faz sede e a areia não guarda nenhuma pegada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;O respirar dos adormecidos é um ruído que inquieta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;- Pai, a terra não envelhece. É porquê?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;- É porque trabalha deitada. Quando cansa ela já está em sua esteira, quieta no sono dela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Você engole com força. É, engole saliva, faz conta está entrar comida na garganta. A fome fica confusa, assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i&gt;- Vai-se ou não-se?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;… sobrava comida que daria para salvar filhos, mães e uma africandade de parentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;… o segredar da morte, essa infatigável coscuvilheira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;… não inventaram ainda uma pólvora suave, maneirosa, capaz de explodir os homens sem lhes matar. Uma pólvora que, em avessos serviços, gerasse mais vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;A tia dizia coisas sem pés na cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Seria preciso esperar séculos para que cada homem fosse visto sem o peso da sua raça.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;A morte (…) é uma corda que nos amarra as veias. O nó está lá desde que nascemos. O tempo vai esticando as pontas da corda, nos estancando pouco a pouco.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Do menos o mal: afinal, grão a grão o papa se enche de galinhas.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;… em terra de cego quem tem um olho fica sem ele.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;… em meio da vida sempre se faz a inexistente conta: temos mais ontens ou mais amanhãs?&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;… numa dessas situações em que nem a água é mole nem a pedra é dura.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;… no triste jeito com que a liberdade fita os olhos dos prisioneiros.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-754115535835069044?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/754115535835069044/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=754115535835069044&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/754115535835069044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/754115535835069044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/01/terra-sonmbula-mia-couto.html' title='Terra Sonâmbula, Mia Couto'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342821160036853027.post-3686993448401115481</id><published>2008-01-12T23:44:00.000Z</published><updated>2008-01-15T23:52:34.931Z</updated><title type='text'>A Casa Quieta, Rodrigo Guedes de Carvalho</title><content type='html'>Saborear todas as letras e depois falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o problema (...) não é correspondermos às nossas próprias expectativas, o problema é não convencermos as expectativas dos outros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero voltar a partir não quero saber que estou de partida...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342821160036853027-3686993448401115481?l=bloguivro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://bloguivro.blogspot.com/feeds/3686993448401115481/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342821160036853027&amp;postID=3686993448401115481&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/3686993448401115481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342821160036853027/posts/default/3686993448401115481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://bloguivro.blogspot.com/2008/01/casa-quieta-rodrigo-guedes-de-carvalho.html' title='A Casa Quieta, Rodrigo Guedes de Carvalho'/><author><name>Carla Veríssimo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07393299096294885998</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://bp0.blogger.com/_L6aUetgkFs4/R40jVDO9fTI/AAAAAAAACSw/go-tYhJ2WDg/S220/meu+olho.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
